
Burnout: Quando o Corpo e a Mente Dizem “Pare” – Minha Experiência Pessoal
Durante muito tempo, eu não sabia dar nome ao que estava vivendo.
Hoje, com mais informação e consciência, consigo afirmar com clareza: eu vivi a Síndrome de Burnout na sua forma mais intensa.
E vivi sem saber, sem apoio adequado e acreditando que precisava apenas ser mais forte.
Os sinais ignorados dia após dia
As dores de cabeça eram constantes.
A insônia se tornou rotina — noites inteiras olhando para o teto do quarto, enquanto o corpo implorava por descanso e a mente não desligava.
A queimação no estômago era permanente, 24 horas por dia. Minha gastrite chegou a um nível extremo, acompanhada de crises de vômito, ansiedade intensa e uma tristeza profunda.
Quando o despertador tocava, a sensação era de que eu havia acabado de adormecer.
Aquele som marcava o início de mais um dia de exaustão.
O choro vinha antes mesmo de sair da cama, mas eu não podia me dar ao luxo de parar.
Eu me medicava e ia trabalhar.
O acompanhamento que não trouxe melhora
Naquele período, eu já fazia acompanhamento psiquiátrico.
A cada retorno, porém, eu saía pior.
Voltava para casa com uma sacola cheia de medicamentos: remédios para ansiedade, para dormir, para gastrite nervosa, para dor de cabeça.
As doses só aumentavam.
O esperado alívio nunca vinha.
Pelo contrário, meu corpo parecia cada vez mais sobrecarregado.
Em um desses dias, completamente dominada pela dor de cabeça, um colega de trabalho se aproximou da minha mesa, percebeu meu estado e me ofereceu um medicamento que ele costumava tomar. Desesperada pela dor, eu aceitei.
O colapso
A combinação daquele comprimido com todos os outros medicamentos que eu já tomava não reagiu bem.
Fui parar na emergência.
Parte do meu rosto ficou sem controle, eu não conseguia me acalmar.
Precisei receber um medicamento na veia para estabilizar e voltar ao normal.
Mesmo assim, eu continuava indo trabalhar.
Muitas vezes, durante o expediente, eu me escondia no banheiro da empresa para chorar.
As crises eram frequentes.
Eu estava no limite.
O ambiente que adoecia
O ambiente de trabalho era tóxico e a cobrança, excessiva.
Eu era a única pessoa responsável por todo o setor.
Não havia substituição, não havia divisão de tarefas.
Muitas vezes, eu não conseguia sequer sair para almoçar.
Comia um salgado em frente ao computador enquanto digitava notas fiscais para liberar vendedores que aguardavam para viajar.
Férias não tiradas. Anos sem descanso.
Sempre a mesma justificativa: não havia quem fizesse o trabalho.
Na minha mente, pedir demissão parecia impossível.
Eu sempre ajudei no orçamento da casa.
A ideia de sair me trazia medo, culpa e insegurança.
Então eu aguentei.
Aguentei mais um pouco.
Mas meu corpo já não aguentava mais.
A decisão mais difícil — e mais libertadora
Cheguei ao extremo.
Em um ápice de exaustão, precisei tomar uma atitude que ia contra tudo o que eu acreditava até então. Pedi demissão.
Foi a decisão mais difícil que já tomei na vida. Mas também foi a mais libertadora.
Comecei a trabalhar por conta própria.
Me reorganizei.
Me reconstruí.
Hoje, já se passaram cerca de 10 anos desde essa decisão, e eu não me arrependo.
O que é Burnout e como ele se desenvolve
A Síndrome de Burnout é um estado de esgotamento físico, mental e emocional causado pelo estresse crônico, especialmente relacionado ao trabalho.
Diferente do cansaço comum, o Burnout não melhora apenas com descanso e pode comprometer seriamente a saúde, os relacionamentos e a qualidade de vida (Ministério da Saúde).
O Burnout se manifesta, principalmente, por três pilares:
- Exaustão extrema (física e emocional)
- Distanciamento emocional ou cinismo em relação ao trabalho
- Redução significativa no desempenho e na motivação
Ele se desenvolve de forma gradual, passando por fases:
- Fase de alerta: excesso de dedicação, dificuldade de desligar do trabalho.
- Fase de resistência: cansaço frequente, irritabilidade, insônia, dores de cabeça, lapsos de memória.
- Fase de exaustão: apatia, ansiedade, tristeza profunda, queda da imunidade, possíveis sintomas depressivos.
Fatores comuns que contribuem incluem jornadas longas, metas irreais, falta de autonomia, ambiente tóxico, acúmulo de funções e desequilíbrio entre vida pessoal e profissional.
Principais sintomas
- Cansaço extremo mesmo após descanso
- Falta de motivação e prazer nas atividades
- Irritabilidade e impaciência constantes
- Dificuldade de concentração
- Sensação de incompetência ou inutilidade
- Alterações no sono e no apetite
- Ansiedade e tristeza frequentes
Como melhorar e prevenir o Burnout
- Estabeleça limites claros entre trabalho e vida pessoal
- Faça pausas durante o dia
- Priorize sono, alimentação equilibrada e atividade física
- Aprenda a dizer não quando necessário
- Busque apoio psicológico
- Reconecte-se com atividades prazerosas
- Avalie o ambiente de trabalho e considere mudanças se ele estiver prejudicando sua saúde
Conclusão
Passar por Burnout foi uma das experiências mais difíceis da minha vida, mas também uma das mais transformadoras.
Hoje, compartilho minha história para que outras pessoas possam identificar sinais, se cuidar e buscar ajuda antes de chegar ao limite.
Para aprofundar, veja também nosso post sobre Bem-estar Sustentável.
Lembre-se: ouvir o corpo e a mente não é fraqueza, é sabedoria.
🌱 Este relato é real, compartilhado para conscientizar, acolher e inspirar.
